
Rosa, do RVCC, nível básico, pergunta a baixa voz: “A brincadeira faz parte da criança, não é?”. Concordamos plenamente.
Crianças Invisíveis – «Blue Gypsy» e «Jesus Children of America»: duas das sete curtas-metragens protagonizadas por crianças com histórias de vida inarráveis e prologadas pela leitura de algumas passagens do Livro de Reclamações das Crianças, de Eduardo Sá, foram o pretexto para uma reflexão em viva voz sobre o conceito de criança e a importância que os adultos lhe (não) dão. Os presentes opinaram e argumentaram ideias diversificadas que considerámos dignas de registo:
“Este é um filme que toda a gente deve ver e analisar porque nos faz pensar.”, “Nós transmitimos para os nossos filhos aquilo que nós somos.”, “Eu sou um pai que conversa muito com os filhos.”, “Este filme tocou fundo na gente”, “Às vezes os adultos cobram muito das crianças”, “Se você não ensinar o seu filho, a rua vai ensinar”, “Às vezes são os próprios pais que expulsam a amizade dos seus filhos”, “Todo o ser precisa de carinho, de amor, de atenção. Todo o ser. Até mesmo uma flor!”.
Luís Vieira, adulto em processo RVCC, nível secundário, deixa-nos as seguintes linhas:
Crianças invisíveis: trata-se de um filme de crianças na antiga Jugoslávia, enquanto decorreu o conflito entre etnias que levou ao desmoronamento do país. Estas crianças são de etnia sérvia.
O 1º filme mostra-nos a vivência dessas crianças enquanto durou o conflito. Mostra-nos a pobreza e os pais que incentivam a roubar, sem o mínimo de educação.
O 2º filme que passou na tela já nos transmite outra perspetiva. É passado na América e baseia-se numa família com o problema das drogas e com a doença da SIDA. É uma família marginalizada pela sociedade. Aqui, a criança, que neste caso uma menina, é quem sofre mais as consequências: as outras crianças põem-na de parte na escola e até lhe batem. Os pais com o HIV tentam a cura, fazem tudo, mas acabam discutindo. A filha escuta e com tudo isto fica psicologicamente afetada e sente-se excluída pelos próprios colegas, numa situação lastimável. No entanto, os pais querem o bem da filha e a única maneira que encontraram para a tirar do ambiente familiar foi entregando a menina de quem eles tanto gostam a uma organização de saúde, a uma instituição de crianças com o mesmo problema.
Estes filmes são bons no sentido de despertar a consciência de certos pais. As crianças inocentes não têm culpa dos problemas em que os adultos se metem. Devem antes pensar duas vezes e, acima de tudo, pensar nos filhos, tanto no caso do problema étnico e na maneira de educar, como neste ultimo caso degradante de drogas que culminou com a doença do HIV.
Estes filmes são muito bons para ajudar a mentalidade das pessoas em geral.
Seria muito bom podermos um dia mudar o título deste filme: Crianças Invisíveis para Crianças Visíveis!
Luís Vieira
O debate foi encerrado com O Brincador, de Álvaro Magalhães, interpretado, ao som de uma caixinha de música, pelo Audenir e pelo António, e com algumas sugestões de leitura.
A 19ª edição destes nossos encontros reuniu adultos de RVCC e de cursos EFA no auditório da Escola EB 2,3 de Algoz e contou com a colaboração de Paulo Pires, do Setor da Cultura da Câmara Municipal de Silves, com Lídia Mendes, da Biblioteca da escola anfitriã e com António Santana, da Rádio Algarve FM.
O próximo encontro, subordinado ao tema da eutanásia, é já no próximo dia 25, na Biblioteca da Escola Secundária de Silves, com início às 14 horas. Apareça!